sábado, 27 de fevereiro de 2010

Pra subir direitinho...

Tá doendo... Aqui dentro, doendo muito e não sái, não apaga...
E ainda se mistura com outras dores, outras intensidades, outros choros... E se engasgam todos... Presos no alto da garganta, machucam, sangram...
E eu aqui sozinha querendo, precisando de um abraço, precisando soltar isso tudo, essa dor, essa lástima...
E eu aqui nesse apartamento que diminui a cada respiração.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

"A boca tragando sabores"

Saboreia, inquieta, o silêncio das palavras que calou.
São banquete aos ouvidos da fantasia de mim.
São romances, mais vendidos, mais lidos e traduzidos no país da imaginação.

São aventuras sem fim, cheio de encontros, desencontros, superações.
Delicadeza e grosseria, amor e ódio, respeito e indiferença...

Palavras que correm soltas, escritas em cartas de baralho, projeto recém começado.
Contam causos, risos, tristezas, sorrisos...
Contam mesmo sem ter quem ouvir...
Contam aos quatro cantos, sempre um conto novo...

Suspiros sem vozes ecoam.
A frase vem leve e pequena.
Reverbera e sentencia
Queria você aqui.




BrabRUletanu

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Desab[af]o

Eu queria escrever um conto bonito, leve, livre... Poderia muito bem transcrever do caderno um que muito gostei, mas hoje não posso.
Hoje estou presa e irritada.
Hoje estou revoltada com muita coisa que nem cabe em mim.

Hoje eu estou triste com o que não foi mudado,
Hoje estou brava com os que não ajudam,
Hoje estou puta da vida com os que matam por matar, e mais ainda dos que matam sem saber...

Enfim, hoje eu estou revoltada com uma raça, que é praga, e da qual eu faço parte.
Sendo assim, vou transcrever um texto, mas ele é pura mágoa.

Escalo aquela montanha de lixo e corpos em putrefação, lá do alto vejo brilhos e luzes, vermelhas brancas, bombas e balas.

Aos meus pés o resto, do que fui, do que sou, do que podia ser. E muitos outros estão ali também, sem futuro, debaixo de destroços e de merda.

De cima da montanha de sujeira, algo parece cair como neve nas nossas cabeças, a diferença é que além de não ser branca, ela queima.

Milhões de flocos de cinza caem como no natal dos filmes que víamos na tevê. Mas a mensagem é outra, é a falta de futuro, é a morte, a dor, as chagas que ficarão na nossa terra, nossa casa, nossa pele.

É o fim.