Translate

terça-feira, 30 de março de 2010

Tudo é deserto

"Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente
absoluto!
Mais vale não ser que ser assim."
Álvaro de Campos [Fernando Pessoa] - Grandes são os desertos e tudo é deserto


Não olho para trás para remoer,
olho por que de relance vi tudo o que vivi
Não só os sorrisos nos olhos
Mas as dores nos sorrisos...

Tanto já foi dito,
Sentido...
Tudo tão sem sentido!

Prefiro quando a nostalgia é boa, saudade feliz...

Mas hoje não, preciso extirpar essa insegurança de dentro do meu peito,
e só lembrando da dor consigo me levantar e recomeçar.

Tudo é deserto e tenho sede...
Sede de águas que não me serão servidas, águas que terei de procurar num sem fim de dunas.
Quase um mar...

Água que me fará a mais feliz se me saciar novamente...
Não que sejam as mesmas águas, mas a mesma saciedade...
Aquela pausa tão necessária depois de tanto procurar...

Água que lave minhas incertezas e me leve pra onde quiser...

Tudo é deserto e estou cansada...

Vou me sentar em qualquer sombra e descansar até o inesperado me envolver por completo.
Até que eu me perca em mim mesma... E a encontre.

Tudo é deserto...

Inclusive
eu
Perfil do signo de Escorpião
Quem nasce no tempo de Escorpião recebe do céu um dom que, se
não for bem compreendido e bem usado, pode ser fonte de muita perturbação: a
capacidade de perceber a tensão que está dentro das coisas e que vai fazer elas
mudarem. Ao contrário de Touro, que se encanta e se apaixona pelas coisas como
elas parecem ser, Escorpião é atraído pelo mundo misterioso que existe por trás
das aparências.
Sempre associado à morte, à violência, ao ciúme e à
sexualidade exagerada, Escorpião é talvez o mais mal falado de todos os signos.
É possível que a má fama tenha vindo do fato de que, para os povos que criaram a
astrologia, essa época do ano correspondia ao outono, o tempo em que a natureza
ensina aos homens que morrer é natural. Mais do que natural, é
necessário.
Por sua oposição ao signo de Touro, que simboliza a Primavera,
Escorpião sabe que mesmo as coisas mais perfeitas e belas não vão ser perfeitas
e belas para sempre. E pressente o que elas vão ser depois. Touro se encanta com
a beleza das flores. Escorpião é apaixonado pelas sementes que só vão mostrar
sua força depois da morte da flor.
Quem nasce com o sol em Escorpião vê o
mundo e as outras pessoas com olhos de raio -X e isso às vezes cria problemas.
Como imaginam que todo mundo pode ver o que eles veem, tendem a ser muito
fechados. Criam uma verdadeira barreira em torno dos seus sentimentos, que são
sempre muito intensos. Eles estão sempre “morrendo” de amor, “morrendo” de
saudade, “morrendo” de rir, “morrendo” de raiva.
Mas quando a imensa energia
desse signo misterioso encontra uma saída construtiva é que podemos avaliar a
força de um Escorpião. Uma força como aquela que animou o sociólogo Betinho, o
homem que fez da luta contra a morte pessoal um símbolo emocionante da grande
luta coletiva contra a morte pela fome e pela miséria.
Não é que eu ache isso tudo uma verdade universal... Nem que seja a mais pura mentira...
Mas fato é que muito do que se fala do signo de escorpião pode se aplicar a mim... Somado ao meu toque de pessoalidade. Ah! Sei lá... Postei isso porque eu andei remoendo umas partes tristes da minha vida hoje... É sempre assim quando uma série de desencontros me desanima...
E eu não aprendo... Não aprendo nada que falo pr'os outros... É preciso se abrir para o imprevisto para se encantar... Acontece que eu me encanto com tão pouco que as coisas maravilhosas pararam de acontecer comigo... Ou eu tenho prestado pouca atenção...

segunda-feira, 29 de março de 2010

des[ABAFAR]

Peguei a chave
Subi as escadas
Abri a porta

Acendi a luz, liguei o ar, liguei o computador, me liguei...

Todo dia a mesma rotina, a mesma ordem.

E todo dia, depois de refazer esses todos mesmos passos, e ao me sentar em frente a esse computador percebo que foi tudo automático, que não prestei atenção em nada do caminho da minha casa até aqui e que a cada dia que passa eu me apago um pouco mais nessa vida igual.

Me liguei e vim dizer isso...

É sempre a mesma falta...

É sempre a dúvida entre me entregar no caminho esperado e imposto, ou me aventurar na minha vida.

É sempre escolher, escolher e escolher...

Será que as outras pessoas todas estão satisfeitas com suas vidinhas automáticas?
Todos os dias uma multidão de robôs sái de casa em direção ao trabalho, que nem sempre é o que queriam fazer.
Todos os dias as pessoas perdem coisas fantásticas a sua volta porque estão cegos e acostumados com sua rotina. Com seus afazeres, obrigações...
E todos eles julgam quem não aceite essas imposições...

Ontem eu voltava pra casa, alguma hora próxima à meia noite, não corria mas estava distraída com pensamentos e sentimentos que, já faz algum tempo, me tomam todo o tempo que tenho.
Na rua putas e mendigos.
Dividindo a pista comigo duas motos e um carro de placa de Betim.
Os motoqueiros andavam lado a lado, riam e faziam bagunça...
Decidiram fazer um retorno proibido, cortaram o carro de Betim pela direita e pararam.
Não sei o que fazia o motorista do carro, se ouvia música ou conversava, ou se estava como eu pensando sentimento.
Mas ele não parou.


Me liguei ali também. Reduzi, parei o carro a centímetros do outro.
Não, eu não bati, mas alguma coisa bateu aqui dentro. O coração disparou, eu ali sozinha no meio da rua, no meio do mundo. Eu ali, e a moto, e o carro.
Tudo acontecendo e eu pensando sentimento.
Sentimento, pode ficar comigo sim... Você é companhia pra minha falta... Mas vê se não me cega... Tô perdendo muitas coisas porque você exige atenção exclusiva.
Se você viesse acompanhado da presença, tudo bem... Mas a falta... Essa eu já cansei de sentir...

sábado, 20 de março de 2010

Ondulação

Existem duas formas de ver as coisas...
Uma é de olhos abertos, essa comum, regular... Mediana.

Estar na média... Onde a maioria das pessoas se encontra, nem mais, nem menos...
Igual.

Mas quando se fecha os olhos... Fechar os olhos...
Se vê tão mais!

Se vê o que sempre tentou ser escondido, jogado pra de baixo do tapete...
Pra fora da zona de conforto... Porque nos confortamos com as médias...
Eu não... Eu quero pólos. Ou quero ser muito boa, ou ser a pior. Não quero seguranças, posto que essas próprias se enganam, seguranças vistas são máscaras de medos, máscaras de receios, máscaras da insegurança que por ser vivo já bastava para termos...

Eu quero fora do padrão, fora das experiências em laboratórios hermeticamente fechados, controlados por um grupo competente de cientistas observadores...
Eu quero loucuras e viagens que me tirem do Real. Me levem para o IDeal.

Me levem para o perfeito para o meu eu, a minha ID.
Eu quero oito e oitenta, ao mesmo tempo, junto e misturado.
Quero alegria tão enorme que comece a doer.
Quero dor tão pungente que me faça sorrir.
Quero gostos e sabores novos e velhos, conhecidos e nunca experimentados.
Eu quero tudo e tanto e a tanto.

Quero além disso e de outras, esquecer para lembrar, esquecer para sentir, esquecer para ter vontade mais uma vez.
Quero o que somente o nada pode me oferecer.

E por, de nada, precisar, fico assim.
Sem voz, vez, lugar...

Fico cheia de ideias que não se ligam, não se unem, não se explicam.
Fico assim, mar agitado, esperando a calmaria que ordena o caos, me ordena.

sexta-feira, 19 de março de 2010

[Ins]piração

Não escrevo você-poesia.
Você é prosa que não pude provar
Os contos, todos, desajustados, sonham um dia te contar.
Transformei sua imagem num espelho
Só reflexo e reflexão
Sonho puro e contrastante com a realidade
Sonho doce
Amargo viver

sexta-feira, 12 de março de 2010

Desconstrução

Me chego aos cacos, tudo novo, tudo inseguro, tudo estranho.
O clima é de tensão e me esforço para respirar normalmente
Transpiro litros de medo
Estou atrasada e me invento
O caminho que fiz está marcado pelos meus pedaçõs que cairam no percurso
Me refaço aos poucos. Perdendo os medos e as travas
Um rosto, lembrado mas não conhecido, afasta algumas inseguranças.
Uma conversa rápida me põe a par da realidade
E finalmente meus pulmões saboreiam o gosto doce de ar puro.
Sento-me no meio de tudo, eu, insegurança, contradição, e aprecio a multidão de faces que não me são nada, mas que por culpa da convivêcia e conveniência poderão ser conhecidas e reconhecidas.
O tempo há de moldar...

Do nada um inseto bate na mão que segura a caneta e cái morto.
Me obriga a parar.
De escrever.
De pensar.
Respiro mais uma vez e me abro ao improovável.
Eu existo e questiono e admito.
Tudo acontece seguindo uma ordem, fatores, razão.
A gente só nunca pára pra pensar o porque dessas coisas... Quais são elas.

P.S.: Do mesmo nada de onde veio e morreu (ou fingiu que morreu, ou ressucitou), o inseto começa a se mexer, tenta sair do nada que se encontrava.
Se vira, abre as asas e some.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Flash cotidiano II

Um som estranho, metálico
Um rosto bonito, simpático
Um medo comum, do desconhecido

Um convite
Um suspense
Um drama

Vamos subir na nave?

terça-feira, 9 de março de 2010

Flash cotidiano

Movimentação inquietante
O tempo correndo solto livre
do controle limitado das horas
Eu parada,
esperando
Sempreando
esperando
A mudança
A morte
Alguém

quarta-feira, 3 de março de 2010

Para lembrar,

Saudade
De coisas antigas
Mas não por isso velhas,
Nem perdidas...

Talvez deixadas,
(maturando)
Andando com próprias pernas
E aprendendo novos casos,
Para que
(quando de novo em reencontro)
Possam dizer
Cortei quatro cantos,
Vivi e
Amei...

E nesse
todo tempo,
nem um dia sequer,
deixei de pensar
em você.

terça-feira, 2 de março de 2010

Cena I

Sentada no banco esperando
Contando segundos, suspiros, compassos

Do outro lado um atraso, imprevisto
Aperta o coração
Anda apressada, também conta...
Passos.

De um lado suspiro, do outro pressa.

Dos dois, corações acelerados. Junto com o tempo que passa.
No meio da confusão de palavras, passos, suspiros
Uma pausa
Na praça uma suspira, outra não controla o coração que bate forte
Uma sentada vê a outra atravessando a rua.
Os olhos se cruzam, junto com o caminho
Na praça, o tempo para, junto com as contagens.
Tempo, suspiros, passos, compassos
Tudo se mistura no som do silêncio
Silêncio de alto mar

De fora da vida dessas duas, um beija-flor observa, durante alguns segundos, parado em pleno ar.
Observa, se encanta e vai embora.

Cena III

Com tristeza constatou seu receio.

A porta arrombada combinava com o caos do quarto

Tudo espalhado, o espelho quebrado, as roupas todas fora do armário

No chão um rastro escuro guiava os olhos para trás da cama, guiava pr’um cheiro que parecia sair de dentro dela.
O medo crescendo dentro de si
Acendeu a luz. Gritou. A cor vermelha espalhada por entre cacos, roupas, papeis.

Correu.

Abraçou.

Se perguntou

(Porque?)

Se culpou.

(Porque?)

Enquanto tudo isso acontecia, duas meninas

(outras ou eram as mesmas?)

se reencontraram na praça da cidade, mas parecia a primeira vez.

(E na verdade era).

Cena II

Intuitivamente pôs a mão na maçaneta.

destrancada

Delicadamente chamou o nome dela

Silenciosamente abriu a porta do apartamento

escuro

Desconfiadamente tornou chamar o nome dela

Apressadamente entrou pela sala

desarrumada

Desesperadamente esmurrou a porta do quarto

trancada

Inconsequentemente arrombou a porta

susto

medo

dor