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Qual o som das ondas quando não há ninguém para ouvi-las?

Te beijar não é uma expectativa, como numa obrigação cotidiana como trabalhar ou lavar os pés. É desejo, uma esperança que pode ou não se concretizar. É um sabor que faz falta no café da manhã, Um carinho gostoso de se ter. Ter? O que tenho são as lembranças, as sensações. O que tenho é a vontade de te ver feliz. Isso basta? Isso acalma. Sentir seus beijos me faz feliz, te faz? Minha vontade às vezes é de não soltar minha boca da sua. Na impossibilidade me satisfaço de outras formas, Me deixo contente com notícias boas, Me acalento com a visão de que nada na vida é imutável, mesmo que improvável. Não posso mudar o mundo para acolher todas as minhas vontades Nem mudar minha vontade pra encaixar o mundo.
Deixo fluir, liberto, pra entender os espaços que ocupo, que me cabem, que me afastam e aproximam dos seus lábios, como onda.
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nota de pé de página

quando acordei, o céu estava cinza o vento soprava com força e o dia parecia de cabeça para baixo
uma árvore caiu no meio dia suas raízes expostas me contavam dos anos de sua existência
uma arvore caiu no meio do dia  de uma cidade agitada e indiferente cinza e seca, áspera
o asfalto quente machucava meus pés descalços ali no meio do dia enquanto via a árvore no chão
'cupins!' dirão alguns sempre justificando o que não sabem 'ouvi dizer que árvores caem aos sábados' 'foi culpa do solo da região'
mas a árvore permanece deitada logo menos, brigarão por partes de seu tronco farão bancos, escrivaninhas.
a vida da árvore, a sua queda, nada disso importa
enquanto divago, meus pés ainda descalços continuam a queimar no asfalto

Tempo e espaço

Eu penso sempre nas noções que temos de espaço e tempo, como entendemos essas medidas. Essa medida.
O universo é engraçado, não? construímos carros, navios, aviões para superar distâncias, usamos relógios, movimentos estelares pra contabilizar o tempo. Então como explicar que eles são uma coisa só? como entender esse caos orquestrado que rege nossa existencia?
Vamos marcar um período de tempo, por exemplo 6 anos. Usar também uma medida de distância, talvez umas 300 milhas? Pode ser em quilômetros, quase 500!
O que se sabe com essas informações? O que pode se supor? Que histórias consegue imaginar com esses dados? Quer ouvir a minha?
Vou voltar à teoria. o universo é uma coisa, um trem, tão grande, que pra contabilizar distâncias contamos o tempo que a luz demora pra chegar até determinado ponto. a luz, aquela coisa, trem, que atinge velocidades difíceis de imaginar. 
E o pensamento? qual sua velocidade? o pensamento, dizem, é mais lento que a velocidade do som, ele parece rápido porque só p…

Pecan em Ré

Quanto tempo demora pra percorrer alguma distância, encurtar o espaço, dobrar esse tempo?

Quantas inspirações e expirações eu preciso contar?

Quantas vezes tenho que ouvir essa música no repeat?

Quantas perguntas posso formular?
São muitas as dúvidas, existe aula de reforço nessa matéria?
Cinquenta e duas mil, quinhentas e sessenta horas.
E ainda assim, permanece.

fragmentos

Toda história tem dois lados, três, vários.
Muda o narrador, muda a forma de contar.
São realidades que se formam paralelas umas às outras.

Eu não sei quando percebi que o barco estava afundando. Percebi tarde demais que o rombo no casco tinha sido feito pela minha fuga. Pra fugir de mim tive de fugir de você, te negar como aliado, te negar a existência.

Arrependimentos? Sim, vários. Mas arrependimentos não concertam espíritos partidos.
Como pedir desculpas quando você não se perdoa? Não quero transferir mais essa responsabilidade.

Dentro de mim a certeza de que não há perdão é grande. Os machucados são profundos e talvez só o tempo pode contar dessa cicatrização.

A expectativa se concretizou, o boicote aconteceu, a minha responsabilidade me chamou atenção e o que fazer com esse pedido de perdão? Olho pela janela e essas poucas palavras que começaram a sair com a claridade do dia terminam em noite. A dificuldade permanece, sou o último a sair. Me desculpe, apago a luz.
Amor dá em árvore? Muda de nome e endereço? Amor atende telefone? Anda descalço, sobe pelas paredes? Amor sabe o que é laço? Entende bem o português que falo? Amor joga video-game, pula corda? Amor anda de bicicleta? Amarra os sapatos? Brinca de esconde esconde? Amor sabe que faz falta? Onde o amor faz as compras de mês? Qual padaria prefere aos sábados? Onde se diverte? Amor sabe dar cambalhota? Plantar bananeira? Amor pisca?
Amor sente.

Conversa de parafusos

E já se vão quase cinco anos... Quase cinco depois que o barco virou e eu perceber que não sabia nadar. Achei que sabia, mas só tinha nadado nas águas rasas e sob sua supervisão.

Mas esse não é um texto desabafo sobre o quanto sinto sua falta, porque sinto, mas essa agora é uma constante e não vem ao caso. Começo assim o texto porque sinto que escrever, hoje em dia, é meio como falar com você. Fica mais fácil conversar com a mãe na minha cabeça pra conseguir escrever a quem quer que leia, sobre as coisas que andam e pisam e esmurram portas. Não literalmente, é uma conversa sobre sensações, mãe. Já tive muita raiva, bom, as vezes me irrito pensando que você nunca mais vai estar aqui pra poder discutir política comigo, sentar e rir das bobeiras que eu falo. E brigar, céus, como é estranho sentir falta das brigas que a gente tinha! Eu já tive raiva de não poder contar com você pra fatura do cartão, pro almoço no fim do mês, pra falar que tô estudando de novo, serviço social, imagina? Ela …